
São Paulo – Mais da metade das empresas do Brasil
que participaram de um estudo global da Grant Thornton preveem dificuldades nos
próximos meses na hora de reforçar as equipes para velejar nos bons ventos da
retomada da economia.
O International Business Report (IBR), divulgado
hoje, contou com a participação de 5 mil empresários em 35 economias, incluindo
países do G20, durante o último trimestre de 2018, e mostra que a falta de
qualificação de profissionais foi apontada como preocupação em 48% das
empresas.
Na América Latina, o levantamento indica que 44%
das empresas demonstram preocupação com a falta de profissionais qualificados.
Do Brasil, foram 250 companhias participantes e o índice ficou em 52%.
A preocupação dos líderes globais vem aumentando
ano a ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2018, a alta foi de 8%
“Do ponto de vista do RH, nossa maior preocupação é
a captação de talentos. Nós temos um alto contingente de desempregados no
Brasil, mas poucos estão preparados para as vagas que surgem. No segmento de
consultorias enfrentamos problema de falta de preparação básica, muitas vezes”,
diz Ronaldo Loyola, líder de recursos humanos da Grant Thornton Brasil.
Os problemas vão de fraca formação acadêmica à
falta de domínio de inglês e são democráticos: atingem tanto os profissionais
em início como aqueles que já tem certa experiência.
“Quando recrutamos trainees vamos a várias
universidades e o contingente de candidatos que falam inglês não passa de 7%.
Entre profissionais mais experientes aumenta pouco, ainda é baixo”, diz Loyola.
De acordo com o estudo, globalmente, as cinco
indústrias mais afetadas com a falta de capacitação dos profissionais, são as
de:
1. Óleo e gás (65%),
2. Energia – gás, energia elétrica, saneamento
(64%),
3. Tecnologia e telecom (52%),
4. Lazer e turismo (52%)
5. Construção civil (51%)
A pesquisa indica que, nos próximos 12 meses, o
investimento em tecnologia é considerado prioritário para 42% das empresas
globais. No Brasil, esse número sobe para 62%.
“As empresas investem em tecnologia para seus
processos internos até porque não têm contingente preparado e a robotização faz
com que a necessidade diminua”, diz o executivo. No entanto, a automação só faz
aumentar o nível de qualificação, com a demanda por profissionais mais estratégicos
e menos operacionais.
No ranking de países que consideram a falta de
capacitação de profissionais um desafio para o crescimento, o Brasil ocupa o
nono lugar:
1º Índia (66%)
2º Tailândia (66%)
3º Canadá (60%)
4º Polônia (58%)
5º África do Sul (55%)
6º Reino Unido (54%)
7º China (53%)
8º Turquia (53%)
9º Brasil (52%)
(Fonte: Revista Você S/A, 28 de janeiro de 2019)